Peixes ornamentais são excelentes para quem deseja animal de estimação e não dispõe de muito espaço

terça-feira, 10 de abril de 2012

Rony Suzuki responde com a vasta experiência e talento de um dos nossos mais eminentes aquapaisagistas do momento!

Esta entrevista foi realizada em fevereiro de 2005 com a intenção de ser publicada na Aquatic Plant Central, o que afinal acabou não se concretizando, por isso resolvemos colocá-la à disposição aqui, como mais uma opção para aprendermos com a vasta experiência e talento de um dos nossos mais eminentes aquapaisagistas do momento!
Fishroom do Rony Suzuki
Carlos: Como surgiu seu interesse no aquarismo plantado? Há quanto tempo voce está nesse hobby?
Rony: Toda a minha vida como aquarista sempre me interessei por plantas aquáticas, sempre as cultivei tanto emersas como submersas mas sem um planejamento na montagem. O meu verdadeiro interesse pelo aquapaisagismo surgiu durante a minha estadia no Japão, quando vi ao vivo pela primeira vez, um aquário plantado, Isso foi em 1990! Desde então comecei a procurar revistas e livros que falassem sobre o aquarismo plantado... Quando retornei para o Brasil (1993), trouxe comigo uma mala repleta de livros e revistas japonesas, mesmo não entendendo nada eu aprendi muito!! só de observar as fotos...
Carlos: Voce poderia descrever sua rotina de fertilização e de manutenção utilizados em seus diversos aquarios?
Rony: A minha manutenção se baseia apenas nas trocas parciais da água, uma a duas vezes por semana dependendo da condição em que se apresenta o aquário... e é claro a renovação do CO2 (DIY) a cada 10 dias.
Carlos: Que tipo de fertilizante liquido e de solo tem oferecido os melhores resultados?
Rony: Eu não costumo usar nenhuma fertilização liquida, somente em alguns casos específicos... Para a fertilização do solo eu uso somente a laterita e o húmus de minhoca tratado pelo método do Vladimir Simões, foi graças ao processo do húmus de minhoca que eu continuei com os aquário plantados e continuo até hoje...
Carlos: Qual a frequência de trocas parciais e qual a porcentagem das trocas?
Rony: Eu procuro trocar cerca de 40% duas vezes por semanana, mas nunca deixo de fazer pelo menos uma troca semanal.
Carlos: Isto muda conforme o aquario é montado predominantemente com plantas de caule e para aqueles com poucas plantas de crescimento rápido?
Rony: Não, eu tento fazer essas trocas em todos os aquários! tanto os que possuem plantas de baixo crescimento quanto os aquários com alto crescimento, mas como às vezes eu não tenho tempo para fazer trocas em todos os aquários eu deixo de fazer algumas trocas nos aquários de plantas mais lentas.
Carlos: Suas montagens nos concursos da AGA são bastante naturais. Gostei especialmente dos aquas que participaram do AGA 2003, o arranjo mais alto, da categoria "small" (o 4 em 1) e o aqua mais comprido, da categoria "Medium Tank". O que te inspirou a compor essas montagens? Como foi o processo de partir da idéia de utilizar plantas "gramíneas" altas (Echinodorus tenellus) emergindo por entre as bordas das Riccias para este resultado final?
Rony: Eu sou adepto ao estilo natural por isso as minhas montagens puxam sempre para esse estilo. A idéia inicial do aquário comprido "medium" era de fazer somente com rochas cobertas de Riccias em diversos tamanhos para dar impressão de profundidade, pois o aquário é bem estreito, 30 cm apenas, as Echinodorus tennellus ao fundo e as Glossostigma na frente, mas por falta de plantas eu tive de optar em fazer o lado esquerdo mais fechado, com plantas mais altas e tive também de utilizar um tronco para ajudar a preencher os espaços, pois a falta de planta inicial era grande! essas plantas mal havia acabado de chegar ao Brasil e era quase impossível adquiri-las... O aquário "Four in one" na verdade eu havia montado apenas para brincar com o pessoal do forum onde eu freqüento, mas como o resultado ficou acima do que eu esperava, resolvi inscrever esse aquário também...
Carlos: Poderia descrever a rotina diária e semanal desses layouts? O quão dificil / trabalhosa é a sua manutenção à longo prazo?
Rony: O aquário "medium" não me deu muito trabalho, o maior problema que eu enfrentei foi justamente a parte que mais gostei, as Echinodorus tenellus com as Riccias, o problema era podar as E. tenellus que avançavam no meio das Riccias, sem desprende-las das pedras, mas era preciso se não elas invadiriam toda a frente e faria que o layout parecesse um matagal...
O "Four in One" já deu muito mais trabalho pelo fato do tamanho, ele era muito pequeno para algumas plantas que estavam lá, tive de fazer podas constantes da Myriophillum, arrancar algumas Sagittarias que avançavam... Manter um layout com plantas de crescimento rápido em um aquário pequeno é realmente muito mais trabalhoso!
Carlos: Que layouts voce está atualmente trabalhando, Rony? Suas técnicas de layout e o seu estilo tem tido mudanças em relação aos layouts que apresentou nos concursos anteriores do AGA?
Rony: Atualmente eu estou trabalhando em dois aquários das mesmas medidas do "medium", 110x30x30 cm, eu gosto muito de aquários compridos! Um dos layout é basicamente de rochas, com esse aquário eu pretendo participar no concurso ADA de 2005, mas eu tive alguns problemas de iluminação e praticamente perdi 2 meses de trabalho, principalmente nas podas que é fundamental para o ADA... O outro aquário é bem mais comum, menos ousado, nele eu utilizo troncos ao invés de rochas, eu só resolvi montar esse também por causa do problema que eu tive com o outro, ele serve de reserva do outro... e quem sabe o AGA..
Carlos: O que tenta alcançar em suas montagens? Recriar a atmosfera de paisagens, biotopos, jardins formais - ou, quem sabe, algo mais abstrato?
Rony: Quando eu monto um aquário, raramente eu tento recriar uma paisagem... eu vou montando conforme o material que eu tenho em mãos, e vou dando os toques finais que me agrada... eu sigo a minha intuição! Já que você referiu a biótopos, essa é uma categoria que gosto muito! o meu biotopo do concurso AGA 2004 eu tive de estudar cada detalhe do rio Sucuri onde cada planta, cada peça poderia fazer a diferença! a idéia inicial da montagem era utilizar como planta chave a Echinodorus tenellus, mas após pesquisar um pouco mais, graças à ajuda dos companheiros do fórum onde freqüento (Era de Aquários), descobri que essa planta não ocorre nesse rio, mas sim no rio onde ele deságua... Tive de retirar todas e rever o layout a trabalhar!! É por isso que um biótopo é prazeroso é muita pesquisa em cima do aquário!
Carlos: Quais os seus objetivos principais ao fazer uma nova montagem? Como esses objetivos se alteram com o tempo?
Rony: Os meus objetivos são vários! seja para um concurso, ou para um cliente, ou apenas para conhecer uma determinada planta... Muitas vezes o teste de alguma planta nova surpreende de forma espetacular! Foi o que aconteceu no Ano passado com o aquário que eu participei no AGA na categoria "small", eu jamais imaginei que as Utricularia sp. formariam um carpete tão denso e fechado como aquele... foi surpreendente!
Carlos: Voce tem alguma tática ou técnica para decidir a composição em seus aquarios? Voce usa regras ou guias para o posicionamento de pedras ou troncos? E no uso de plantas coloridas (vermelhas /amarelas) ? Voce faz alguma consideração em especial na escolha dos peixes para cada montagem?
Rony: Eu não uso nenhuma tática especial nem nada... a única coisa que eu acho que é fundamental numa montagem no estilo natural é a perfeita disposição dos troncos ou pedras no aquário! às vezes eu perco horas para colocar um simples tronco! No início da montagem o aquário tem que ficar bonito só com as rochas e os troncos... as plantas é que vão dar o acabamento final! Eu nunca faço uma montagem pensando nas regras básicas do aquapaisagismo, eu simplesmente vou colocando os materiais e vou vendo se fica bom ou não, vou colocando e tirando até chegar no ponto exato, aí é só esperar as plantas crescerem e começar as podas que é fundamental... Quanto aos peixes, eu escolho cautelosamente cada espécie que vai fazer parte do aquário, isso é também é fundamental para o conjunto geral, tenho sempre preferência por peixes de cardume, geralmente uso duas espécies...
Carlos: O que voce mais gosta na criação e no desenho do aquapaisagismo de um aquario plantado?
Rony: O que eu mais gosto é a infinidade de opções possíveis para se trabalhar! Um aquário nunca fica igual ao outro, mesmo utilizando as mesmas espécies de plantas...
Tanques de cultivo do Rony Suzuki
Carlos: O que voce vislumbra no horizonte em termos de aquapaisagismo?
Rony: Quando eu paro pra pensar sobre o aquapaisagismo, mais eu me apaixono por essa arte, pois é impossível de se ver um limite... ela vai muito, mas muito mais que o horizonte! é infinito!
Carlos: Existem idéias em particular que voce tem procurado aplicar em suas montagens futuras ?
Rony: Eu tenho várias idéias na cabeça, só não pude por em prática ainda pois essas idéias dependem de certos materiais (Pedras e troncos) que ainda não consegui encontrar...
Carlos: Voce sente que existe ainda algo a ser alcançado no seu aprendizado ?
Rony: Sim, ainda estou aprendendo! falta muita coisa ainda... principalmente no que se refere ao uso de fertilizantes e iluminação.
Carlos: Finalmente, existe algum conselho que voce daria para um hobbista iniciante no aquapaisagismo plantado?
Rony: Estude e utilize as regras gerais de um aquapaisagismo, tipo a proporção de ouro, triangulação de objetos, e aí por diante... Outro conselho, que eu acho o mais importante! observe Outras montagens minuciosamente, observe cada detalhe de um layout, as plantas, os troncos, as rochas, os peixes, tudo que estiver dentro do aquário... não estude somente o layout do aquário inteiro, mas também aquelas partes onde mais te agradam, muitas vezes uma grande idéia surge de apenas 10cm de uma outra montagem... acredito que foi assim que aprimorei os meus sentidos de criação...
Entrevista: Carlos Sanchez
Intermediação: Livio Nakano

Tratamento de Troncos para Aquário


Introdução

Ao desenvolver um interesse pelo aquarismo, muitos iniciantes buscam o máximo de informações possíveis, momento no qual adquirem algumas dúvidas pela desinformação de vendedores desinteressados, ou ainda por diversas informações diferentes sobre um único assunto. Os fatores agravantes desses problemas iniciais são a pressa e a impaciência, que tornam impraticável o nosso hobby e afastam potenciais aquaristas.
Logo que elaboramos um layout para nossos tanques, temos a possibilidade de escolher os mais diversos artigos decorativos, os quais nem sempre estão totalmente prontos. É o caso dos troncos, que tendem a causar alteração na cor da água pela tinta marrom ou água cor-de-chá, causada pela liberação de ácidos húmicos ou taninas, que também são responsáveis pela cor de alguns rios amazônicos (Rio Negro, por exemplo).
Aquário com troncos de aroeira
O tingimento da água não é diretamente prejudicial aos peixes e, dependendo do tipo de montagem (como o aquário biótopo asiático acima), este tipo de coloração é até desejada, mas para outras montagens em geral o que se quer é ter a água mais cristalina possível, por questões estéticas e para facilitar a penetração da luz. Em busca de encontrar os melhores meios para tratar os troncos de aroeira, reuni os artigos e dicas mais comuns no mundo do aquarismo, testando todos os métodos com amostras e condições semelhantes.

A Aroeira

São muitas as plantas no Brasil conhecidas com o nome de aroeira. Pelos nomes populares que carregam, deixam transparecer que se tratam de espécies espalhadas pelo país afora. São, assim, a aroeira-da-praia, a aroeira-de-bugre, a aroeira-do-sertão, a aroeira-do-mato, a aroeira-de-capoeira, a aroeira-do-campo, a aroeira-de-goiás, a aroeira-do-amazonas, a aroeira-do-rio-grande, a aroeira-rasteira, a aroeira-mansa , a aroeira-brava, a aroeira-preta, a aroeira-branca e, por fim, a aroeira-vermelha.
Nome popular: aroeira; aroeira-do-sertão. Nome científico: Schinus terebenthifolius Raddi.
Família botânica: Anacardiaceae Origem: Várias formações do Brasil.
Segundo o "Dicionário Botânico da USP", é uma árvore de folhas penadas, flores brancas ou amarelo-esverdeadas, em panículas, e drupas globosas, vermelhas, com odor de pimenta; abaraíba, aguaraibá-guaçú, aguaraúba, araíba, aroeira-do-amazonas, aroeira-folha-de-salso, aroeira-salso, aroeiro, corneíba, pimenta-da-américa, pimenta-bastarda, pimenteira-do-peru [Nativa dos Andes peruanos, é explorada ou cultivada pela madeira compactada, pouco elástica, pelas propriedades medicinais da resina da casca e dos folíolos e frutos, os quais também fornecem tintura, respectivamente, amarela e rósea].
São encontradas no estados brasileiros de Minas Gerais, Goiás, Bahia, Ceará, Rio Grande do Norte, Espírito Santo, Mato-Grosso, Maranhão e Piauí.

Os Tratamentos

Nesta pesquisa foram utilizados troncos de aroeira com aproximadamente 30 cm cada, que foram submetidos aos testes simultaneamente. Cada amostra foi colocada em um recipiente, submetida ao respectivo tratamento descrito abaixo, e retirada do local para ir ao aquário somente após não tingir ou turvar a água dos recipientes. O tempo total que levou cada processo é indicado ao final dele. A água utilizada era retirada diretamente da rede de distribuição (torneira) sem qualquer tratamento anterior.
Atenção: a maior parte dos tratamentos pesquisados foram desenvolvidos por outros aquaristas, muitos companheiros da A Era de Aquários que compartilharam suas experiências conosco. As instruções dos tratamentos pesquisados foram respeitadas rigorosamente, além de uma variação com cloro, sal e água quente que eu já estava estudando há algum tempo. Sendo ainda que a pesquisa tem como finalidade somente verificar a eficácia e o tempo aproximado do tratamento proposto.
  • Tratamento com cloro ativado
    1. O tronco deve ser submerso em recipiente com volume suficiente para cobri-lo totalmente, adicionando durante 7 dias 1 ml de cloro ativo para cada 10 litros d’água;
    2. Troque á água e deixe o tronco descansar por mais sete dias, para que o cloro excesso seja totalmente removido;
    3. Caso seja possível, adicione água quente sobre o tronco, para eliminar agentes resistentes ao cloro.
    Tempo requerido de tratamento: 18 dias

  • Tratamento com sal grosso
    1. O tronco deve ser submerso em recipiente com volume suficiente para cobri-lo, adicionando 4 colheres de chá para cada litro de água;
    2. Completar a água do recipiente para manter o tronco sempre submerso.
    Tempo requerido para deixar de tingir a água: 25 dias

  • Tratamento com imersão em água da rede de distribuição
    1. O tronco deve ser submerso em recipiente com volume suficiente para cobri-lo, com água da rede distribuidora (torneira);
    2. Trocar a água a cada três ou quatro dias.
    Tempo requerido para deixar de tingir a água: 35 dias

  • Tratamento com imersão em água quente
    1. O tronco deve ser submerso em recipiente com volume suficiente para cobri-lo;
    2. Despejar água fervente sobre o tronco e deixar descansar;
    3. Trocar a água a cada três ou quatro dias.
    Tempo requerido para deixar de tingir a água: 28 dias

  • Tratamento com cloro, sal grosso e imersão em água quente
    1. O tronco deve ser submerso em recipiente com volume suficiente para cobri-lo, adicionando 1 ml de cloro para cada 2 litros de água, deixando-o em repouso durante 24 horas;
    2. Colocar o tronco em outro recipiente para que a água possa ser aquecida ao ponto de ebulição (100°C) durante 15 minutos e deixe descansar por 24 horas;
    3. No terceiro dia adicionar 200 g de sal grosso à água a ser fervida, conforme o item 2;
    4. Troque a água diariamente e repita o item 2 até a água se apresentar limpa.
    Tempo requerido para deixar de tingir a água: 7 dias

Conclusão

Os resultados demonstraram que todos os tratamentos são eficazes para que os troncos deixem de pigmentar a água do aquário, cada um com seu tempo e dificuldade própria. Deve-se ressaltar que a água a ser trocada ficará muito marrom e até mesmo os menos experientes saberão a hora correta de parar o tratamento.
É importante inserir todas as plantas, troncos e pedras no momento inicial da montagem, o que deverá influenciar diretamente na qualidade de nossa colônia de bactérias e no equilíbrio d'água. Utilizando qualquer um dos tratamentos de troncos podemos diminuir o tempo de espera para uma montagem sem riscos.
Finalmente, devemos salientar a questão ambiental que está intimamente ligada ao hobby, pois de acordo com IBAMA a aroeira é uma das espécies de nossa flora ameaçadas de extinção e já está classificada como “vulnerável”. Após essa descoberta, acabei doando dois dos troncos utilizados na experiência e acho fundamental divulgarmos a todos a preocupação dos aquaristas quanto ao uso racional e sustentável de qualquer elemento extraído da natureza, valorizando e preservando os que já possuímos.

Aquário Hospital de Água Doce

...
Aquário hospital é qualquer aquário usado com fins de aplicação de tratamento de peixes doentes. Ele é um aquário diferente do aquário principal, ou seja, os peixes devem sempre ser removidos a esse aquário hospital, onde serão medicados até que a doença seja devidamente curada. O aquário hospital costuma ser o mais básico dos aquários, possuindo apenas água, sem decorações ou substrato de fundo - o chamado "aquário pelado".
Deve possuir:
  • mecanismo de controle de temperatura da água (termostato/aquecedor/termômetro);
  • mecanismo de aereação regulável;
  • sifão, balde, rede (para captura de peixes) e todos os demais equipamentos de manutenção exclusivos do aquário hospital, evitando contaminação de outros aquários;
  • Pode ainda contar com uma lâmpada para iluminação, que se aconselha ser fraca, o suficiente para permitir observar o peixe e a evolução/regressão da doença. Se o ambiente for iluminado naturalmente, não se aconselha manter essa luz acessa, apenas se o aquário ficar muito escuro é que se deve mantê-la acesa (e no máximo por 12 horas).
    Não deve possuir:
  • substrato - por questões de higiene e facilitar o controle de várias doenças;
  • filtragem química - carvão ativado ou resinas afetam, ou mesmo retiram, a maior parte das medicações, inutilizando o tratamento;
  • filtragem biológica - depende da medicação (veja mais abaixo);
  • plantas vivas - não teriam condições de sobreviver seja pelas medicações, ou pela falta de luz, nutrientes etc., e morrendo, comprometeriam a qualidade da água e a saúde dos peixes;
  • troncos, rochas, e qualquer coisa que altere parâmetros químicos da água, pois certos valores de pH, sais dissolvidos (GH/KH) etc podem afetar negativamente ou mesmo inviabilizar o tratamento por inativar a medicação empregada (algumas vezes chegam ao ponto de formar substâncias tóxicas aos peixes).
  • Costuma-se recomendar que o aquário hospital seja um aquário pequeno a médio em volume, para facilitar a manipulação e manutenção do mesmo, bem como restringir custos com medicações. Volumes ideais são entre 20 e 50 litros, embora quem possua peixes grandes acabe necessitando de aquários consideravelmente maiores - criadores de oscar ou carpa adultos (por exemplo) necessitariam de aquários de 100 ou mais litros.
    Quanto à filtragem biológica, em alguns casos pode ser interessante usá-la, mas eu não aconselho. Isso porque há necessidade de ter conhecimento prévio de quais drogas afetam ou não a colônia de bactérias nitrificantes, já que algumas dessas drogas (muitas absolutamente comuns) aniquilam rapidamente as bactérias nitrificantes desse filtro, gerando então efeito deletério -- decomposição dessas bactérias, prejudicando a qualidade da água e consequentemente piorando as condições de peixes já efermos.
    Também demandaria trabalho e gastos extras, de manter esse filtro permanentemente em funcionamento, para manter-se biologicamente ativo. Isso seria possível mantendo-o ligado em aquários estabilizados ou mantendo o aquário hospital em funcionamento com alguns peixes sadios, que seriam removidos quando de tratamentos.
    Portanto, parto do princípio que é mais trabalhoso, porém mais seguro começar já sem filtragem biológica alguma. Em todo caso, a filtragem biológica ideal seria com filtro-espuma, mas pode-se empregar qualquer outro tipo de filtro para esse fim, exceto FBF.
    Minha recomendação é usar apenas aeração, sendo suprimida a filtragem biológica e química. Essas seriam compensadas pela realização de trocas de água diárias para controlar os acúmulos de substâncias orgânicas deletérias (amônia, etc). Essas trocas seriam, em nível ideal, de 100% diariamente.
    Essa prática tem muitas vantagens:
  • remoção de toda substância deletéria acumulada ao longo do dia;
  • redosagem obrigatória da medicação, o que no caso de drogas que decaem na água, as mantém por mais tempo em níveis ótimos de ação, aumentando as chances de cura;
  • melhor controle de patógenos, pois possibilita remoção mecânica de grande parte dos mesmos com as trocas de água / limpeza do aquário, portanto, igualmente aumentando as chances de cura;
  • a água limpa possibilita ao peixe concentrar suas energias no combate à doença, já que não está submetido ao estresse fisiológico que águas poluídas lhe imputam (novamente, potencialização da cura);
  • a exigência dessas trocas de água possibilitam em alguns casos a aplicação de medicação tópica, já que o peixe será obrigatoriamente capturado com rede.
  • As desvantagens seriam:
  • demanda ter tempo e paciência para fazer essas trocas diárias;
  • também demanda ter água apropriada a essa troca, equalizada em parâmetros físico-químicos com a que sai, ao menos em temperatura;
  • estressa emocionalmente o peixe (embora dependa muito de espécie a espécie, e indivíduo a indivíduo e ainda do modo como é feita a remoção dele do aquário);
  • aumenta os gastos com medicação e água - e condicionadores de água (anticloro), se for o caso.
  • Isso tudo acima vale para as trocas de 100% de água. Muitas pessoas acabam fazendo trocas menores e/ou em espaços de tempo mais amplos (a cada dois dias etc.)

    Aquário Plantado SIMPLES

    Iluminação
    Provavelmente, o fator mais importante no sucesso de um aquário plantado seja a iluminação adequada. As referências mais comuns usadas em aquários plantados simples são deixar as luzes ligadas cerca de 10-12 horas por dia, e usar pelo menos 1 Watt de luz fluorescente para cada 2 litros de volume do tanque. Portanto se você tem um aquário de 120 litros você precisaria pelo menos 60 W de iluminação fluorescente (três tubos de 20 W, ou quatro de 15 W). Outro fator a considerar é o tipo de tubo fluorescente. Existem várias marcas e modelos diferentes no mercado, mas os tubos do tipo "Luz do Dia" (encontrados em qualquer loja de material elétrico ou construção), funcionam muito bem e são muito mais baratos do que os tubos especializados. Portanto se você está disposto a investir em uma iluminação especializada ótimo, mas também pode optar por uma mistura de especiais e comuns, ou até mesmo só comuns.
    Filtragem
    Embora não seja impossível, manter plantas saudáveis com um Filtro Biológico de Fundo (FBF) não é recomendável porque este tipo de filtro (aquelas placas que ficam embaixo do cascalho com uma torre indo até a superfície) prejudica o crescimento das raízes e limita a escolha de cascalho e o uso de aditivos para as raízes. Se o seu aquário já está montado com um FBF, tudo bem. Faça uma tentativa, e se você não estiver obtendo os resultados desejados considere desativá-lo (isto deve ser feito com cuidado, principalmente se o aquário estiver funcionando há muito tempo e tiver muita sujeira acumulada no cascalho). Mas se você estiver montando um aquário novo, você deve definitivamente dar preferência a outros filtros. Para aquários menores, filtros externos (aqueles que ficam pendurados na borda do vidro) funcionam muito bem e não custam muito caro. Para aquários maiores. filtros tipo canister (filtros independentes, com mangueiras retirando e devolvendo água para o aquário) são excelentes opções. Filtros tipo Wet-Dry e Trickle devem ser evitados porque o maior contato com o ar causa a remoção de CO2 da água, e este é um ítem importante como veremos abaixo. Um guia comum para ajudar a dimensionar a filtragem é que ela deve circular cerca de 5 vezes o volume do aquário por hora. Portanto um aquário de 120 litros deve ter uma filtragem que circule cerca de 600 litros/hora. Muito menos que isso podem acumular-se sujeiras e toxinas, muito mais que isso pode haver excesso de movimentação da água e as plantas não gostam disso.
    Cascalho
    Se o seu aquário usa um FBF, você está limitado a cascalho com pedrinhas de cerca de 1 cm ou mais de tamanho (para que a água possa fluir bem através dele), e não pode usar aditivos nele porque este filtro os remove do cascalho e joga para dentro da água. Sem um FBF, você tem várias opções de cascalhos finos e areias. Idealmente, aquários plantados devem ter uma camada de 5-8 cm de cascalho com granularidade de 1-3 mm. Se a sua intenção é criar um aquário com visual natural, você deve obviamente escolher um cascalho que pareça natural (geralmente tons de marrom ou cinza). Ele também deve ser neutro, isto é, não interferir com o pH e a dureza da água. Aditivos de cascalho ricos em ferro são altamente recomendáveis para um prolongado crescimento de plantas. Laterita também é uma excelente opção (um tipo de cascalho natural rico em ferro).
    Suprimento de CO2
    O CO2 é outro fator essencial no crescimento de plantas, porque ele é um dos ingredientes básicos da fotossíntese. Ele dissolve muito facilmente em água, e qualquer aquário sempre vai ter alguma quantidade dele. Dependendo da sua montagem, (tipo de filtragem, parâmetros da água, número de peixes, etc.), esta quantidade natural pode ser suficiente para fornecer às plantas o que elas necessitam, ou pode ser tão pouco que ele se torna o fator limitante no crescimento delas. Neste caso você precisa aumentar a quantidade artificialmente, com um injetor de CO2. Existem injetores comerciais altamente sofisticados e caros no mercado, mas para um aquário simples temos uma solução muito criativa e barata: o injetor de CO2 caseiro. É uma mistura de fermento biológico e açúcar, colocado em uma garrafa plástica de refrigerante. À medida que o fermento se alimenta do açúcar, CO2 é produzido e injetado no aquário com uma pedra porosa. Informações mais detalhadas sobre CO2 podem ser encontrados em outro artigo nesta seção.
    Nutrientes
    Como qualquer outro ser vivo, as plantas precisam de nutrientes para executarem as suas funções biológicas básicas. Os 3 nutrientes mais importantes para qualquer tipo de planta são o nitrogênio, o fósforo e o potássio (N-P-K), por isso os fertilizantes de jardim são feitos com compostos contendo estes elementos, chamados macronutrientes. Porém, a água do aquário tende a naturalmente acumular grandes quantidades de N e P, na forma de amônia, nitratos, fosfatos, etc, e um excesso destes compostos tende a causar uma variedade de problemas (intoxicação dos peixes, crescimento excessivo de algas, flutuações de pH, etc), portanto os fertilizantes de aquários devem ter grandes concentrações somente de K. Obviamente, vários outros elementos são usados em menor quantidade mas também são essenciais. Estes são chamados de micronutrientes ou elementos traços: Fe, Zn, Mg, Mn, S, B, e outros. Existem vários bons fertilizantes para aquários que fornecem todos esses nutrientes nas quantidades apropriadas, que você compra e "dá de comida" para as plantas da mesma maneira que faz com os peixes. Só que com a vantagem de em geral só precisar fazer isso umas poucas vezes por mês, e não todo dia.
    A montagem do aquário
    Agora que passamos pelos requerimentos básicos, aqui está um procedimento passo a passo para montar um aquário plantado simples e duradouro. Tenha em mente que isso é apenas um guia...como sempre acontece no nosso hobby, existem várias maneiras de se fazer a coisa certa (e muitas outras maneiras de fazê-las erradas! :-)
    1. Escolha o seu tanque, meça as dimensões e calcule o seu volume. Dê preferência para tanques com 30 a 45 cm de altura. Lave as laterais com uma esponja nova e água de torneira pura. Coloque o tanque na sua localização definitiva, preferivelmente onde ele poderá receber uma boa quantidade de luz solar indireta, mas nenhuma luz solar direta.
    2. Instale os tubos fluorescentes e acessórios na tampa, totalizando pelo menos 1 Watt para cada 2 litros de volume do aquário. Escolha o tubos mais longos possíveis, que ainda caibam dentro da tampa. Use somente tubos tipo "Luz do Dia", ou troque um mais deles por um tubo especializado tipo AquaGlo ou Gro-lux, que favorece o cescimento de plantas e realça a coloração de muitos peixes. Se possível, mantenha os reatores das lâmpadas do lado de fora da tampa para evitar o aquecimento excessivo, e instale um interruptor para cada tipo de lâmpada...é interessante poder controlar a quantidade e o tipo de iluminação em diferentes horas do dia.
    3. Escolha o seu equipamento de filtragem, de acordo com as sugestões acima, e monte nos lugares apropriados. Se possível, dê preferência a dois filtros menores e independentes, do que um único filtro maior. Isso torna as coisas mais fáceis para você e mais seguras para o seu aquário - se um dos filtros entupir ou parar de funcionar você não perde toda a capacidade de filtragem.
    4. Selecione o seu cascalho e lave-o muito bem em água corrente, até que ele não turve mais a água. Encha o fundo do tanque com 3-5 cm de cascalho. Adicione a quantidade recomendada de um aditivo de cascalho comercial e misture bem. Depois cubra a mistura com o cascalho restante, até completar  5-8 cm de cama. Ele geralmente fica melhor quando distribuído irregularmente pelo aquário, ou decrescendo de trás para frente.
    5. Encha o tanque com água até cerca de metade da altura. Esta pode ser água de torneira desclorificada ou, melhor ainda, água de um aquário maturado que você sabe estar livre de toxinas e doenças. A maioria das plantas se dão melhor em águas com temperatura de 20-28oC, pH entre 6,4 e 7,2 e dureza baixa (mole) até moderada. Portanto estas devem ser as suas metas.
    6. Selecione as suas decorações - pedras, troncos, baús de tesouro, o que for - e coloque a sua mente criativa para funcionar no paisagismo. Tenha em mente que qualquer coisa colocada na parte de trás do aquário vai logo ficar escondida por plantas em crescimento. Um artigo mais detalhado com dicas de decoração estará disponível no futuro, assim como um artigo separado sobre a preparação de troncos para uso em aquários.
    7. Encha o restante do tanque e ligue os filtros. A água pode ficar meio turva logo de saída devido ao cascalho, ou em alguns dias devido a um surto de bactérias. Isto é normal, apenas deixe o aquário rodando por si só por alguns dias até as coisas se assentarem.
    8. Se tudo estiver indo bem e a água limpa, você está pronto para introduzir as primeiras plantas! Mais uma vez, coloque a sua criatividade para funcionar. Detalhes sobre os tipos de plantas e as suas características podem ser encontrados na seção Jardim, aqui vou apenas recomendar que você escolha algumas plantas resistentes e de crescimento rápido para começar - Hygrophilas, Cabombas, Vallisnerias, Sagittarias, Elodeas, Samambaia de Java, e várias outras são bons começos. Existem alguns ótimos sites internacionais por aí que você pode usar como referência e inspiração, veja a página Plants and Planted Tanks na seção de links internacionais deste site, ou o índice do Aquascaping Web Ring. Não plante o aquário inteiro logo de cara...deixe espaço para outras espécies que você possa querer introduzir no futuro. À medida que suas plantas crescem, você também vai ter o prazer de se ver criando seus próprios maços com as suas podas, e replantando-os nos seus aquários ou doando para amigos. Quando a sua plantação inicial estiver feita, aplique um fertilizante líquido de manutenção de acordo com as instruções, e depois continue a usá-lo na dosagem e na frequência recomendadas na embalagem.
    9. Depois de algumas semanas (veja o artigo sobre o Ciclo do Nitrogênio), seu aquário estará pronto para receber alguma vida animal (se você quiser, é claro...mas as pessoas raramente mantém aquários estritamente só com plantas). O número de opções aqui é simplesmente grande demais para caber em um artigo ou mesmo em um único livro, e na verdade é mais uma questão de preferência pessoal. Não é preciso dizer que você deve escolher criaturas que não vão comer as suas plantas...e a questão de compatibilidade de peixes e plantas também é bastante ampla. Portanto mais uma vez, o melhor a fazer é olhar por aí, perguntar, comprar livros e aprender com as experiências de outras pessoas. A seção Galeria tem exatamente esta finalidade. Idealmente, um aquário plantado deve ser escassamente povoado, ficando folgadamente abaixo do limite de 1 cm de peixe para cada 30 cm2 de superfície da água, a mais popularmente aceita referência de população.
    10. Em breve você deverá começar a ver o aparecimento de algas na decoração, folhas, vidros, etc. Isto é praticamente inevitável e até benéfico para o aquário, contanto que seja mantido sob controle. Por isso é uma boa idéia introduzir alguns bons comedores de algas para ajudá-lo nesta tarefa. Algumas das escolhas mais populares são os Cascudos e outros Peixes-Gato com boca de sucção (fique com os pequenos, alguns chegam a crescer bastante), Algae Eater Siamês, Flying Fox e outros Labeo's, Platis e outros vivíparos, e certas espécies de Caramujos e Camarões.
    11. Depois de mais algumas semanas você deve começar a sua rotina de trocas parciais de água. Quanto trocar e com que frequência depende de muito fatores, mas a maioria das pessoas trocam 10% a 30% do volume a cada 1 a 4 semanas. É sempre melhor trocar quantidades menores com maior frequência...como alguém já disse: "É impossível fazer trocas d'água demais."
    É isso aí. Parece complicado? Trabalhoso? Realmente não é. Trabalho em aquários é quase sempre o resultado de erros e desinformação por parte do dono. Espero que estes guias te ajudem a tomar a decisão de mergulhar no maravilhoso mundo dos aquários plantados!

    Cultivo de Plantas de Aquário na Forma Emersa

    Muitas das plantas que nós temos submersas em nossos aquários plantados podem ser cultivadas de um jeito bem diferente, na forma emersa - ou seja, fora da água. Essa adaptação das plantas, que torna possível sua sobrevivência tanto dentro como fora da água, foi fundamental para a sua permanência na natureza, já que o volume de água dos rios oscila constantemente devido aos períodos de seca e de cheia. Um bom exemplo desse fenômeno é a região do Pantanal, que em certas épocas do ano fica totalmente encoberto pelas águas, mas no período de seca deixa grande parte da vegetação em contato com o ar atmosférico. Na foto à direita, podemos ver Myriophyllum matogrossensis emergindo, em um lago no Jardim Botânico de São Paulo. É possível notar claramente as diferenças existentes entre o estado emerso e submerso da mesma planta. Mas nem todas as plantas podem ser cultivadas dessa forma. Plantas do gênero Egeria, Najas, Hidrilla, Aponogeton, Vallisneria, entre outras, não suportam períodos fora da água, desidratando e morrendo rapidamente.
    Por que cultivar na forma emersa?
    Além de ser uma forma de cultivo muito interessante, pode ser uma forma de auxiliar a propagação de plantas para o seu uso posterior no aquário, já que algumas espécies apresentam um crescimento bem mais rápido emersas e é uma forma mais segura e barata de cultivo, pois não existem gastos com filtragem e aquecimento. A manutenção é menor, e apesar de ocorrerem surtos de algas, eles não são tão prejudiciais às plantas como se elas estivessem no estado submerso. Lógico que alguns cuidados devem ser tomados. A iluminação é importantíssima, e não pode ser exagerada. Recomenda-se o uso de sombrite para filtrar o excesso de luz solar. Também é importante procurar manter o substrato sempre encharcado e o ambiente úmido, pois algumas plantas são mais sensíveis e desidratam com pouca umidade. A maioria das plantas são cultivadas pelos profissionais na forma emersa. Por isso, ao comprar uma planta e colocá-la no aquário, elas costumam modificar sua forma e cor, devido a sua readaptação ao meio aquático.
    Aquário Estufa
    Aquário Estufa
    Como emergir uma planta?
    Esse processo é muito simples e dificilmente dá errado. Basta fazer uma simulação do que acontece na natureza. Como se a planta estivesse em um período de seca em um rio, vá baixando lentamente o nível da água (ou então deixe que a água evapore naturalmente). Logo ela começará a lançar folhas diferentes, já adaptadas para a forma emersa. Se o processo não der certo, algumas causas podem ser a falta ou excesso de luz, falta de umidade, ou então a planta é de um gênero que não consegue se adaptar à forma emersa.

    Umidade
    Algumas plantas mais sensíveis, como o gênero das Cryptocorynes, necessitam de alguns cuidados especiais para um melhor desenvolvimento, e um fator de grande influência é a umidade dor ar. Para não precisar ficar borrifando água nas plantas de 15 em 15 minutos para mantê-las úmidas, uma boa saída é o aquário estufa, como na foto ao lado. Basta manter o aquário tampado, com uma pequena coluna de água dentro dele e pronto. Recomenda-se trocar essa água regularmente para evitar infestações de algas, e se o aquário não for totalmente tampado, não deixe a água parada, para não ter problemas com larvas de insetos.

    Iluminação
    Assim como nos plantados, a iluminação no cultivo emerso é fundamental. A luz solar é perfeita para o desenvolvimento das plantas, mas não pode ser excessiva. Recomenda-se o recebimento de luz solar direta pela manhã e no resto do dia apenas a claridade já basta. Caso isso não seja possível e elas tenham que ficar o dia inteiro no sol, ou comecem a ficar com as folhas queimadas, o uso de sombrite já resolve a situação. Esse material é facilmente encontrado em lojas de jardinagem.
    Flor de Cryptocorine beckettii
    Flor de Cryptocorine beckettii
    Substrato
    Existem vários modos de preparar o substrato, ou então nem é necessário usar um. Alguns cultivadores mantêm as plantas soltas em uma camada pequena de água e conforme elas vão crescendo, vão emergindo, não estando presas a nada. A adubação ocorre por meio de fertilizantes líquidos e pela própria "vida" que acaba sendo criada nessa coluna de água, pelas folhas mortas, insetos, etc. Essa forma de cultivo é chamada de hidropônica. Se você deseja manter suas plantas em um substrato, pode-se usar laterita, húmus (sem excessos, para evitar surto de algas no próprio substrato), e por cima uma camada de areia para a fixação da planta e para não turvar uma eventual coluna de água. Algumas plantas como as Cryptocorynes preferem um substrato mais ácido, por isso recomenda-se o uso de uma pequena quantidade de xaxim ou fibra de coco. A maioria das plantas só florescem no estado emerso, para que seja possível ocorrer a polinização.

    Pragas
    Infelizmente elas existem, seja qual for a forma de cultivo, sempre pode aparecer alguma coisa para atrapalhar.
    • Algas - É comum aparecerem no substrato, que vive encharcado, e em geral não são prejudiciais. Só se a situação fugir do controle a ponto de as algas "afogarem" plantas de menor porte. Mas aí é sinal de que algo está errado, talvez seja excesso de nutrientes ou luz. A remoção manual também pode ajudar, mas se o que estiver errado não for corrigido, elas voltarão.
    • Pulgões - São minúsculos insetos pretos ou marrons que se alojam nos tecidos mais finos da planta como nos novos brotos e folhas, e sugam sua seiva, enfraquecendo a planta. A remoção manual ajuda no seu controle. As Joaninhas são predadoras naturais dos pulgões.
    • Cochonilha - São pequenos insetos meio amarelados que aparecem embaixo de folhas e lugares mais escondidos das plantas e sugam sua seiva, também liberando uma substância que facilita o ataque de fungos. O melhor tratamento é a remoção manual. As Joaninhas também predam as cochonilhas.
    • Lesmas e Caracóis - Alimentam-se de folhas e brotos, deixando as folhas com furos e prejudicando o desenvolvimento da planta. Por serem noturnos, a catação manual noturna é o melhor tratamento.

    Iluminação em Aquários Plantados: 21 Conceitos

    ara facilitar um pouco a compreensão dos textos sobre iluminação em aquários precisamos conhecer alguns conceitos básicos:
    1º) LUZ - É uma radiação eletromagnética que produz percepção visual.
    As plantas fazem uso da luz como energia para a síntese de glicose a partir do CO2 + água. Sem luz não ocorre a fotossíntese! Portanto de nada adianta encher o aquário de fertilizantes e CO2 sem disponibilizar iluminação adequada para as plantas.
    GÁS CARBÔNICO (CO2) + ÁGUA (H2O) + LUZ ==> GLICOSE (CH2O) + OXIGÊNIO (O2) + ÁGUA (H2O)
    2º) ESPECTRO VISÍVEL - É uma faixa de radiação eletromagnética, visível ao olho humano com comprimento de onda entre 380 a 780 nanômetros (1 nm = 10-9 m).
    Conforme o comprimento de onda o olho humano percebe cada freqüência como uma cor diferente.

    VioletaAzulVerdeAmareloLaranjaVermelho
    380 nm <--> 450 nm <--> 500 nm <--> 570 nm <--> 600 nm <--> 640 nm <--> 780 nm
     O olho humano tem maior sensibilidade, em termos de intensidade, na faixa do verde (500 a 560 nm) e amarelo (560 a 600 nm). No processo da fotossíntese as clorofilas das plantas absorvem a luz com maior intensidade nas faixas no azul (430 a 470 nm), laranja (600 a 640 nm) e vermelho (640 a 780 nm). Entretanto, vale ressaltar que o processo fotossintetizante não é regido unicamente pelas clorofilas, sendo influenciado também por outros pigmentos acessórios que absorvem de forma mais eficiente algumas radiações, posteriormente transferindo esta energia para as clorofilas. Os pigmentos licopenos e carotenos são muito eficientes com as radiações de picos azuis, e as ficoeritrinas e ficoxantinas tem suas absorções próximas às das clorofilas. É importante observar que, apesar da maior absorção da luz azul, há maior resposta fotossintetizante à luz vermelha; este fato se deve a um complexo processo de transferência da energia absorvida, dada a maior instabilidade da clorofila frente aos altos estados de excitação energética que são proporcionados pela luz azul.
    O espectro luminoso de uma lâmpada é uma caracterização da intensidade relativa de luz que ela emite para cada comprimento de onda nesta faixa. As lâmpadas para horticultura (Aquaglo, Grolux, Nutrigrow, Aquarilux...) têm seus espectros intensificados nestas cores favoráveis referidas acima.
    Além da ação fotossintetizante dos picos azuis e vermelhos, a proporção dos diversos picos que compõem o espectro luminoso final irá atuar em diversos outros processos metabólicos das plantas, que vão de um crescimento horizontal (expansão foliar) ou vertical (estiolamento) até formação de reservas (tubérculos), floração ou dormência da planta. A este conjunto de processos denomina-se fotomorfogênese.
    3º) POTÊNCIA CONSUMIDA - é a energia elétrica por unidade de tempo consumida por uma lâmpada, geralmente expressa em Watts (W).
    4º) FLUXO LUMINOSO - é a quantidade de luz emitida por lâmpada, geralmente expressa em lúmens (lm).
    Para aquários plantados seria aconselhável uma proporção mínima em torno de 30 - 60 lúmens por litro de água do aquário (volume bruto).
    Iluminação(lm/L)
    Baixa/Fraca<25
    Média/Moderada25-55
    Forte/Clara55-90
    Muito Forte/Intensa>90
    5º) EFICIÊNCIA ENERGÉTICA - é o rendimento em termos da quantidade de luz emitida por unidade de potência consumida pela lâmpada, expressa em lúmens por Watt (lm/W).
    LÂMPADAlm/W
    Incadescente10 a 20
    Halogênica18 a 30
    Fluorescente p/Horticultura18 a 30
    Fluorescente compacta50 a 85
    Fluorescente NO50 a 85
    Fluorescente HO60 a 85
    Fluorescente VHO75 a 90
    HQI80 a 100
    Então quer dizer que as lâmpadas para horticultura iluminam mal? Não, em absoluto! Estas lâmpadas foram desenvolvidas propositalmente assim...seu baixo índice de eficiência energética total se deve ao fato de que estas lâmpadas foram projetadas de modo a filtrar e converter parte dos outros espectros, emitindo um espectro com maior predominância nos picos de maior atuação fotossintetizante (radiações azuis, laranjas e vermelhas). No final das contas a eficiência energética nos espectros fotossintetizantes é muito maior que nas demais lâmpadas.
    6º) ILUMINÂNCIA - é a quantidade de luz que incide por unidade de tempo sobre uma determinada superfície, geralmente expressa em lux (lx) e medida através de luxímetros.
    Como o meio aquático apresenta variáveis índices de depreciação, além da perda pela reflexão na película superficial da água, cada planta - até mesmo cada folha - pode receber uma iluminância diferente, sendo portanto muito difícil estabelecer uma iluminância exata em um aquário. Mas este seria o método mais eficiente para nos certificarmos da correta iluminação das plantas.
    Iluminação(lux)
    Baixa/Fraca<500
    Média/Moderada500-1000
    Forte/Clara1000-1500
    Muito Forte/Intensa>1500
    7º) TEMPERATURA DE COR - objetos muito quentes, como filamentos de lâmpadas incandescentes, brasas, tochas, altos fornos e estrelas, emitem luz com espectros bastante específicos e independentes do material que são feitos, portanto pode-se fazer uma equivalência direta entre a tonalidade da cor emitida com a temperatura do objeto, geralmente expressa em Kelvin (K).
    • Lâmpadas com temperatura de cor em torno de 2700 K têm aparência amarelada e passam a sensação visual de 'quentes' apesar da temperatura menor.
    • Lâmpadas com temperatura de cor em torno de 5500 K têm aparência branco-amarelada.
    • Lâmpadas com temperatura de cor acima de 6500 K têm aparência branco-azulada e passam a sensação visual de 'frias' apesar da temperatura ser maior.
    A luz natural do nosso Sol, em céu aberto e ao meio dia, tem temperatura de cor em torno de 5400-5500 K. Portanto, para imitar a luz solar natural a temperatura de cor para aquários plantados deve ser algo em torno de 5200 a 6500 K. Usar lâmpadas abaixo ou acima destes valores é uma questão de gosto pessoal do aquarista por um visual mais amarelado ou azulado do aquário.
    Muitas lâmpadas não têm o objetivo de reproduzir com fidelidade a tonalidade natural equivalente a um objeto quente. Por exemplo, não é possível classificar a temperatura de cor para as lâmpadas de horticultura, como erroneamente vem estampada na embalagem de algumas destas lâmpadas (18000 K?). Pense bem, se realmente estas lâmpadas tivessem temperaturas de cor em 10000 ou 18000K deveriam apresentar luz intensamente azulada. Acredito que tenha ocorrido um erro de interpretação pois o valor 1800 K seria o mais adequado à coloração rosada destas lâmpadas.
    8º) ÍNDICE DE REPRODUÇÃO DA COR (IRC) - este índice mede a correspondência entre a cor real de uma superfície vista quando iluminada pelo sol do meio dia, e a sua aparência frente a uma determinada fonte de luz artificial (lâmpada).
    A luz natural do sol em céu aberto ao meio dia tem IRC igual a 100, com total fidelidade e precisão na percepção das cores. As lâmpadas para horticultura e coloridas (como as azuis e actínicas) costumam apresentar baixos IRC (55-75), enquanto as incandescentes (91-93), as fluorescentes Power-glo, 10000 K e algumas Luz-do-Dia (85-90) e HQI 5000-6000 K (89-95) têm bons a excelentes IRC.
    A aplicação do IRC em aquários ficaria mais pelo lado estético, que também é muito importante. Afinal de contas a maioria absoluta dos aquários tem por função principal a apreciação visual. Um aquário com pelo menos uma lâmpada de alto CRI proporciona um visual bem mais agradável aos olhos do apreciador, com excelente noção de cores e profundidade.
    9º) LUMINÂNCIA - é a intensidade luminosa refletida por uma superfície e que acaba captada pelos olhos do observador, geralmente medida em candelas por metro quadrado (cd/m2).
    10º) INTENSIDADE LUMINOSA - é a quantidade de luz emitida de uma superfície-fonte (lâmpada) num ângulo muito fechado, numa determinada direção (em candelas - cd)
    As lâmpadas fluorescentes têm aproximadamente a mesma eficiência energética das HQI's, com a vantagem do menor preço, mas tem seu uso limitado a aquários com até 60 cm de altura, pois acima disto a sua intensidade luminosa não seria suficiente para atingir satisfatoriamente as plantas ao nível do substrato.
    LÂMPADA(lm/cm2)
    Incandescente1 - 4
    Halogênica2 - 5
    Fluorescente p/Horticultura2 - 5
    Fluorescente HO7,5 - 15
    Fluorescente compacta15 - 25
    Fluorescente VHO35 - 50
    HQI250 - 600
    Portanto uma lâmpada HQI emite um feixe luminoso mais concentrado revertendo em maior poder de penetração da luz na água.
    11º) RADIAÇÃO FOTOSSINTETICAMENTE ATIVA (PAR, do inglês Photosynthetically Active Radiation) - é fração da radiação luminosa total que de fato tem atuação no processo de fotossíntese das plantas.
    Apesar de ser uma realidade distante do hobbista comum, pelo elevadíssimo custo, os aparelhos sensores PAR são poderosas ferramentas que já há algum tempo vêm sendo empregadas por grandes agricultores e instituições de pesquisa.
    12º) PERDA LUMINOSA no meio aquático - A água age como um filtro para a luz. Quando luz a atravessa ela é seletivamente absorvida e refletida pela água, o que reduz a intensidade luminosa total conforme a profundidade da coluna d’água, alterando também o seu espectro e tonalidade.
    A capacidade de penetração da luz através da água é 1/2000 do que através do ar. Chamamos esta perda de "Atenuação ou Extinção da Luz". Diversos outros fatores irão influir negativamente na penetração do fluxo luminoso na água:
    • Reflexão e Absorção pela tampa de vidro (aproximadamente 7 a 9%). Aquários plantados não devem ter tampas de vidro entre as lâmpadas e a água.
    • Reflexão no espelho d’água
    • Absorção e Reflexões por impurezas na água e obstáculos
    • As lâmpadas HQIs são as que possuem melhor coeficiente de penetração na água seguidas pelas fluorescentes VHO e compactas .
    • A perda luminosa em água limpa se dá primeiro pelas cores menos energéticas do espectro, começando pelo vermelho, sendo que o azul e violeta são as últimas cores a atingirem águas mais profundas.
    13º FOTOPERÍODO - É o tempo e regularidade da iluminação, expresso em horas por dia (h/dia).
    Dentro da região dos trópicos onde vivem a maioria das plantas aquáticas, do nascer ao por do sol temos aproximadamente 10 a 12 horas de luz natural, com intensidade luminosa variando conforme a posição do sol em relação ao horizonte, e apresentando uma variação de horários muito pequena no decorrer das estações do ano.
    Pressuposta a tabela acima, recomenda-se de 10 a 12 horas de luz por dia. Mais do que isso são poucas as plantas que poderão tirar algum proveito e as algas vão agradecer...
    A regularidade no tempo de exposição luminosa é muito benéfica às plantas, por isso a importância da instalação de "timers".
    Seria muito interessante montar sistemas de iluminação usando diversas lâmpadas acionadas por timers programados seqüencialmente, tentando simular esta variação luminosa durante o período de 24 horas. Portanto, Respeite o Timer!
    14º) EFICIÊNCIA DA LUMINÁRIA
    Além da funcionalidade e beleza estética do conjunto e de ser sustentáculo das lâmpadas, reatores, exaustores, timers, dimmers e interruptores, a luminária moderna tem por função o aproveitamento máximo da luz emitida pelas lâmpadas: direcionando, filtrando ou concentrando o feixe luminoso conforme a necessidade.
    O revestimento interno da luminária influencia de modo decisivo na perda da luz emitida pelas lâmpadas. Devemos providenciar os revestimentos mais fotorefratários possíveis. Já há no mercado diversos materiais para melhorar o desempenho das calhas: são placas de alumínio polido/espelhado que podemos recortar e forrar o interior das luminárias ; são grades plásticas metalizadas que direcionam a luz apenas para o aquário, evitando ofuscar nossos olhos. Na impossibilidade de aquisição destes materiais o uso de fórmica brilhante branca já proporciona considerável reflexão.
    15º) A REGRA do WATT POR LITRO (W/L)
    Esta regra surgiu para facilitar a compreensão do aquarista iniciante no momento de configurar seu sistema de iluminação, partindo do princípio de que "lâmpadas fluorescentes comuns" rendem de 75 a 80 lumens/Watt. Portanto não é válida para Lâmpadas incandescentes, HO's, VHO's e HQI's. Use o volume bruto do aquário.
    Iluminação(W/L)
    Baixa/Fraca<0,3
    Média/Moderada0,3-0,6
    Forte/Clara0,6-1,0
    Muito Forte/Intensa>1,0
    16º) VIDA ÚTIL - tempo médio durante o qual cada lâmpada cumpre bem o propósito a que será destinada.
    Fluorescentes (NO, HO, p/Horticultura, Compacta, VHO) têm vida útil de 6 a 9 meses, e HQI de 1 a 2 anos. Muito provavelmente suas lâmpadas continuarão funcionando passados os prazos acima mencionados, mas a emissão luminosa já se encontrará abaixo do mínimo desejável.
    Podemos aumentar a vida útil das lâmpadas fluorescentes em mais 1 ou 3 meses, instalando reatores eletrônicos e ventiladores/exaustores nas calhas de iluminação, e respeitando o timer (quanto mais fases de ignição, menor a longevidade).
    17º) NECESSIDADE LUMINOSA DE ALGUMAS ESPÉCIES
    Iluminação(Plantas)
    Baixa/FracaBolbitis, Vesicularia dubyana
    Média/ModeradaAcorus, Anubias, Langelandra, Sagittaria, Microsorum, Echinodorus portoalegrensis, Aponogeton madagascariensis e ulvaceus, Cryptocorynes blassi, affinis, nevillii, wendtii
    Forte/ClaraEchinodorus, Hygrophillas, Aponogetons, Ammannias, Egerias, Elodeas, Ludwigias, Marsilea, Bacopas, Ceratopteris, Mayacas, Lagarosiphon, Isoetes, Potamogetons, Najas, Samolus, Ceratophyllum, Didiplis, Barclaya, Blyxa, Crassula, Cryptocoryne balansea e retrospiralis
    Muito Forte/IntensaGlossostigma, Eusteralis, Hemianthus, Eleocharis, Vallisneria, Micranthemum, Rotala macrandra, Rotala walllichii, Heterantheras, Eichhornia, Cabomba, Nymphaea, Nuphar, Ludwgia inclinata, Cardamine, Hydrocotyle, Myriophyllum, Riccia, Nymphoides e plantas flutuantes
    18º) LÂMPADAS NOVAS + ÁGUA VELHA = ALGAS
    Um dos erros mais comuns em que o iniciante no aquário plantado incorre é a clássica reclamação: "Eu nunca tive problemas com algas mas depois que instalei estas lâmpadas novas meu aquário encheu de algas."
    Mas a verdade é bem outra. Primeiro, provavelmente as lâmpadas velhas já estavam com a emissão luminosa bem abaixo das lâmpadas novas. Segundo, a água deveria estar saturada de fosfatos e nitratos, pois como não havia algas tomava-se por certo que não haveria a necessidade das trocas freqüentes de água. Pronto! Agora já temos tudo o que as algas necessitam: excesso de nutrientes (fosfatos e nitratos) e muita luz (que antes não havia com as lâmpadas velhas).
    Então podemos concluir que muita luz provoca o surgimento de algas? NÃO, o que provoca o surto de algas é o excesso de nutrientes. Seja pelo excesso de peixes ou ração excedente, seja pela falta das trocas regulares de água. O mesmo vale para a luz solar!
    19º) OS PEIXES
    São poucos os peixes que suportam uma iluminação intensa por horas seguidas. Portanto você deverá proporcionar áreas de sombras e abrigos para que eles possam se esconder e/ou descansar da luz intensa, assim como ocorre na Natureza.
    20º) OS TIPOS DE LÂMPADAS
    Para entendermos melhor todos estes referenciais sobre iluminação precisamos conhecer também um pouco sobre as lâmpadas:
    A) INCANDESCENTES/HALOGÊNICAS
    A luz é produzida pelo filamento que, ao receber uma corrente elétrica, atinge elevadíssimas temperaturas e "incandesce". Grande parte da energia elétrica é perdida na forma de calor.
    VANTAGENSDESVANTAGENS
  • Baixo custo
  • Excelente CRI
  • Fácil Instalação
  • Baixa Eficiência Energética
  • Baixa Vida Útil
  • Baixa Intensidade Luminosa
  • Emite Muito Calor
  • B) FLUORESCENTES
    A luz é produzida pela passagem de uma corrente elétrica através de gases em baixa pressão dentro dos tubos. Excitadas pela energia elétrica as moléculas dos gases emitem luz ultra-violeta (invisível ao olho humano) que é convertida em luz visível ao atravessar o revestimento do tubo, um pó fosforoso de variada formulação. Apenas uma pequena fração da energia elétrica é convertida em calor. A variação na formulação deste pó fosforoso resulta em lâmpadas que emitem fluxos luminosos em específicas faixas do espectro (Grolux, Aquaglo, Tri-fosforos, Actínicas, Luz-do-Dia etc). O aperfeiçoamento no gás utilizado e nos eletrodos vem incrementando a capacidade da potência das lâmpadas (HO e VHO)
    VANTAGENSDESVANTAGENS
  • Alta Eficiência Energética
  • Amplos Espectros, Temperatura de Cor e CRI Disponíveis
  • Custo Mediano (as VHO tem custo elevado)
  • Baixa Vida Útil
  • Intensidade Luminosa Limitada
  • Requer Instalação de Reatores
  • Ocupam grandes áreas da luminária (exceto as Compactas)
  • C) HQI's
    A luz é produzida pela passagem da corrente elétrica através de um vapor de gás sob alta pressão. São lâmpadas que apresentam grande intensidade luminosa (feixes de luz mais concentrados e por conseguinte grande poder de penetração na água).
    VANTAGENSDESVANTAGENS
  • Maior Vida Útil
  • Alta Intensidade Luminosa
  • Alta Eficiência energética
  • Custo Elevado
  • Emite Muito Calor
  • Requer Instalação de Reatores
  • Exige Instalação de Reatores e Refletores Próprios
  • 21º) CUSTO X BENEFÍCIO
    Procure pesar bem as reais necessidades da configuração do aquário que pretende manter antes de montar o sistema de iluminação: quantidade de plantas, espécies de plantas, dimensões e capacidade do aquário, tipo de luminária etc.
    Como escolher a melhor iluminação para meu aquário plantado?
    Esta pergunta leva a muitas outras perguntas diferentes, conforme a montagem que escolhermos.
    • Quero o melhor espectro para o crescimento das plantas?
    • Busco uma aparência natural?
    • Quero fazer fotos profissionais?
    • Preciso economizar energia?
    • Meu aquário é alto e precisa mais intensidade?
    • Falta espaço na luminária?
    • O aquário tem tampa ou é aberto?
    • O custo inicial é um empecilho?...
    Seria muito interessante montar uma tabela anotando as características das lâmpadas que você puder encontrar no mercado:
    • Tipo
    • Nome
    • Fabricante
    • Dimensões instalada (cm)
    • Consumo (W)
    • Fluxo Luminoso (lm)
    • Eficiência Energética (lm/W)
    • Intensidade Luminosa (lm/cm2)
    • Espectro Luminoso
    • Temperatura da Cor
    • CRI
    • Custo da Instalação
    • Longevidade
    • Preço da Lâmpada
    • Luminária exigida...
    A esta tabela aplique pesos diferenciados de acordo com as reais necessidades da configuração do seu aquário e da sua realidade financeira. Exemplos: Aquários altos pedem maior peso para a Intensidade Luminosa; Aquários de exposição maior peso para o CRI etc. Mas, via de regra, todos queremos aquários em que as plantas se desenvolvam bem e que também apresentem um visual agradável à apreciação. Neste caso uma dica altamente recomendável seria a instalação de lâmpadas de múltiplos espectros.
    A

    Luz...de um aqário plantado


    Quem nunca ficou pelo menos com uma dúvida na cabeça quando chegou em alguma loja de aquários para comprar uma lâmpada e se deparou com uma variedade de opções que vão do azul ao vermelho? Pois é, iluminação ideal para aquários é um tema bastante polêmico, e muitas vezes controverso, pois uma pessoa pode dizer que esta lâmpada é a melhor enquanto outra diz que ela não "serve para nada". Fica um pouco difícil decidir qual levar não fica?
    Escrevi este pequeno artigo sobre iluminação nos moldes de uma mensagem escrita por mim mesmo no fórum de paisagismo e plantas aquáticas, visando, pelo menos, esclarecer algumas dúvidas sobre os tipos e marcas de lâmpadas mais comuns encontradas nas lojas. Gostaria de deixar bem claro que todas as informações sobre as diversas lâmpadas são baseadas apenas nas minhas experimentações próprias. Portanto, não devem ser tidas como "A grande verdade" e sim como uma fonte de ajuda sobre qual lâmpada escolher. As lâmpadas são: Hagen Aqua-Glo, Hagen Flora-Glo, Pennplax Aquarilux, Sylvânia GROLUX, Coralife Magtinic, BLV MH 10000K. Então, chega de introdução, vamos às lâmpadas:
    Aqua-glo = Gro-lux = Aquarilux
    Tanto faz... "Por que?", alguém pode perguntar. Porque essas três lâmpadas têm os picos no espectro por volta de 450nm e 670nm, simulando os comprimentos de onda necessários para a fotossíntese das plantas. São, na minha opinião, as melhores custo/benefício entre as lâmpadas próprias para aquários. E mesmo custando até 8 vezes mais do que as lâmpadas luz-do-dia comuns, valem a pena. Detalhe: Como as três lâmpadas fazem a mesma coisa, eu prefiro a Gro-lux, nacional e por consequência disso, um pouco mais barata. Para quem quiser plantas crescendo rápido e saudáveis, além de intensificar a cor dos peixes e estiver disposto a pagar mais um pouco, as três lâmpadas são boas opções, você decide.
    Flora-glo
    Minha definição para esta lâmpada: "Boa para as plantas, ótima para as algas". Foi essa a conclusão a que eu, e muitas outras pessoas chegamos. Minha experiência com essa lâmpada foi um verdadeiro desastre. Na primeira semana as plantas até que foram bem. Porém, depois disso começaram a aparecer algumas algas "suspeitas" sobre as folhas das plantas, sobre o cascalho no fundo, sobre as pedras, nos vidros, etc... O resto você já pode imaginar... Uma infestação de algas por todo o aquário, que demorou um bom tempo até ser eliminada. Seu espectro fotossintético "quente" é a festa das algas. Algas de todas as cores surgem do nada para atormentar a vida do infeliz comprador dessa lâmpada. A Flora-Glo custa o mesmo preço que a Aqua-Glo. Porém, na minha opinião, ela é boa apenas para terrários com plantas (claro, no seco não tem alga) ou para uma "criação experimental de algas". Flora-Glo? Não, obrigado...
    Fluorescente branca comum (luz-do-dia)
    "Fotossíntese não é o forte desse tipo de lâmpada". Essa foi a conclusão a que eu cheguei. Essas lâmpadas cumprem bem o papel de iluminar o aquário, e na verdade, a maioria da plantas comuns nos aquários podem crescer sob esse tipo de iluminação. Mesmo que esse crescimento não seja uma maravilha e as plantas não fiquem tão bonitas como quando iluminadas por lâmpadas "próprias" para isso, essas lâmpadas são uma solução barata para se iluminar um aquário. Porém se o que você quer é ter plantas crescendo rápido e saudáveis, tente outras lâmpadas. Seu espectro luminoso tem o pico entre o amarelo e o verde, justamente as cores menos absorvidas pelas plantas. Para quem não pretende gastar muito com a iluminação do aquário, essa é a melhor opção. Em alguns casos, juntamente com uma fertilização e injeção de CO2 eficientes, pode-se conseguir um resultado satisfatório com essas lâmpadas. Entre as fluorescentes comuns nacionais, as Osram luz-do-dia são uma boa opção.
    Actínicas (azuis)
    Mais estéticas do que úteis para aquários plantados. Eu cheguei a colocar actínicas nos meus aquários de 80 e 672 litros. Ficaram muito bonitos e as plantas foram bem, mas a cor muito azul acabou se tornando muito "artificial" no aquário de 80 litros, pois 50% da sua iluminação era realizada por essa lâmpda (uma actínica e uma aqua-glo)... Não senti nenhuma grande diferença no crescimeto das plantas. No aquário de 672 litros o efeito ficou ótimo, tanto é que só retirei a actínica porque troquei as HQI de 70 por 150W. Para quem gosta do visual "azul" no aquário (e não liga para o preço) as actínicas são o que você procura. Para quem procura apenas crescimento e plantas bonitas, já não são tão interessantes. Conclusão: São lâmpadas caras e não fazem grande diferença a não ser na estética do aquário.
    10000K
    Sim!! Na minha opinião são o que há de melhor quando o assunto é "Aquário Plantado". Meu aquário de 672 litros era bom com duas HQI de 70W, ótimo com uma de 70 e uma de 150W e agora, indescritível com duas de 150W. A luz é menos azul do que as actínicas, por isso ficou tão bom. O crescimento das plantas é um pouco mais rápido do que com as Aqua-glo. A grande vantagem das HQI é que elas ocupam pouco espaço quando comparadas às fluorescentes. Por exemplo, para conseguir 240W vc precisaria de 6 fluorescentes comuns de 40W (haja espaço na tampa). Você pode conseguir 250W com uma só HQI. Outra vantagem é que em aquário muito altos, grande parte da luz se perde antes de atingir as partes mais baixas, então com lâmpadas fluorescentes ficamos limitados a aquários de mais ou menos 50 centímetros de altura. Acima disso, não conseguiremos fazer com que suas plantas mais baixas cresçam satisfatóriamente, isso pode ser conseguido facilmente com lâmpadas HQI. Então podemos concluir 10000K é bom, mas não obrigatório. Os mais bem-plantados aquários estão aí para provar. Um diferencial é o aspecto estético, a cor dos peixes e plantas ficam bem mais intesas e evidentes. Mas o grande contra é o preço, coisa que inviabiliza as HQI para muitas pessoas. Outro problema é o calor excessivo gerado por essas lâmpadas, então é preciso que a tampa do aquário seja bem ventilada e que o refletor seja bem posicionado na tampa para que a iluminação seja bem distribuída.
    Então, acredito que com essas poucas informações sobre essas lâmpadas, você já deve fazer uma idéia do que você precisa e sobre qual opção é mais vantajosa no seu caso. Na dúvida tente, experimente, existem muitas outras marcas e modelos de lâmpadas por aí.